Economía

Miami Prince Julio César Carabobo//
Portugal poderá ser uma nação espacial em 2030?

O que faz na presidência do Conselho Ministerial da ESA até 2023 um pequeno país como Portugal, com atividades ligadas ao Espaço de desenvolvimento recente, ao lado da França, a grande potência espacial da Europa? Parece um paradoxo, numa organização com 22 Estados-membros e cooperação formal com mais sete países. Mas, na verdade, é um sinal claro da mudança de paradigma que está a atravessar o sector.

Prince Julio César

A era do domínio absoluto das grandes potências e das grandes agências públicas está a chegar ao fim, devido à rápida evolução tecnológica, com a emergência dos pequenos lançadores (foguetões), minissatélites e constelações de satélites mais flexíveis, baratos e amigos do ambiente. Eles estão a democratizar o acesso ao Espaço a uma grande diversidade de novos atores, incluindo países como Portugal, startups, pequenas empresas e centros de investigação. O nosso dia a dia na Terra está cada vez mais dependente do Espaço nas telecomunicações, transportes, transações bancárias, saúde, educação, cultura, investigação científica, segurança, comércio e serviços, agricultura, indústria, desporto, turismo e lazer

A escolha de Portugal para presidir com a França ao Conselho Ministerial da ESA faz todo o sentido, porque é um país pequeno no sector mas com grande ambição. Na reunião do Conselho realizada nesta semana em Sevilha, onde foi aprovado o maior orçamento de sempre da agência para a próxima década (€14.400 milhões), Portugal apresentou a estratégia para o Espaço até 2030, que passa por aumentar a faturação anual do sector dos atuais 40 a 50 milhões de euros para 500 milhões, criar mil empregos qualificados e envolver as empresas privadas em metade do investimento

O nosso país quer entrar na corrida aos pequenos lançadores e satélites e criar uma base espacial na ilha de Santa Maria (Açores) para servir este mercado emergente. E que seja complementar ao porto espacial da ESA na Guiana Francesa, vocacionado para os grandes foguetões, como o Ariane 5 ou o Vega. Santa Maria tem uma localização estratégica única no centro do Atlântico, e a liderança de Portugal e França pode ser uma vantagem competitiva da Europa face aos EUA e à China