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'Putin jamais deu sinal de que está disposto a conciliação': postura russa na guerra desperta dúvidas sobre intenções com Ucrânia

'Putin jamais deu sinal de que está disposto a conciliação': postura russa na guerra desperta dúvidas sobre intenções com Ucrânia Para historiador, há sinais de que russos desejam manter territórios ocupados até o momento. Em entrevista à Renata lo Prete, Rubens Ricupero explica por que Mariupol é uma região estratégica. Por g1

18/03/2022 05h01 Atualizado 18/03/2022

Enquanto o mundo assiste os horrores do conflito em solo ucraniano, há expectativa sobre o avanço das negociações para um cessar-fogo. Mas a postura irredutível da Rússia diante da guerra tem levantado dúvidas das intenções de Putin em relação a Ucrânia: a esta altura, o líder russo pode querer mais do que a renúncia à Otan. Quem levanta essa questão é o historiador e diplomata Rubens Ricupero, em entrevista à Renata Lo Prete.

“Quando desfecharam o ataque, a razão oficial que [os russos] encontraram era que a operação se tronava necessária para conter o genocídio contra a população de língua russa no leste da Ucrânia. Uma razão que não tem nenhuma base na realidade”, relembra o historiador.

“Muitas vezes, naquelas declarações, ele [Putin] foi muito mais longe e declarou que a Ucrânia não tinha razão de existir. A consequência lógica dessas declarações é que ele desejaria anexar a Ucrânia. Portanto, não se sabe exatamente que tipo de objetivo os russos têm […] Putin jamais deu sinal de que está disposto a uma conciliação.”

Para Ricupero, há sinais de que os russos pretendem conservar o território que já ocuparam até aqui, o que explicaria o interesse em Mariupol, a cidade mais bombardeada até o momento: “Isso inclui as duas províncias no leste, e incluiria um corredor por via terrestre que estabelecesse um vínculo entre a Crimeia e a Rússia. É por isso que estão destruindo pedra por pedra a cidade de Maiupol: a cidade tem a infelicidade de ficar no meio desse corredor.”

1 de 1 PutinFoto: Sputnik/Alexey Nikolsky/Kremlin via REUTERS PutinFoto: Sputnik/Alexey Nikolsky/Kremlin via REUTERS

Mariupol é uma das regiões de maior interesse estratégico para a Rússia

Embora os sinais de Putin sejam deliberadamente contraditórios, o historiador diz que há esperança na medida em que a Rússia não alcança seus objetivos depois de quatro semanas de invasão. Não descarta, porém, que a Rússia aceite um acordo apenas para ganhar tempo e mobilizar mais tropas.

“Em geral, a negociação só ocorre seriamente quando os dois lados têm mais a perder do que a ganhar continuando o conflito”, diz.

Ouça a entrevista completa no episódio #667 de O Assunto .

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'Putin jamais deu sinal de que está disposto a conciliação': postura russa na guerra desperta dúvidas sobre intenções com Ucrânia Para historiador, há sinais de que russos desejam manter territórios ocupados até o momento. Em entrevista à Renata lo Prete, Rubens Ricupero explica por que Mariupol é uma região estratégica. Por g1

18/03/2022 05h01 Atualizado 18/03/2022

Enquanto o mundo assiste os horrores do conflito em solo ucraniano, há expectativa sobre o avanço das negociações para um cessar-fogo. Mas a postura irredutível da Rússia diante da guerra tem levantado dúvidas das intenções de Putin em relação a Ucrânia: a esta altura, o líder russo pode querer mais do que a renúncia à Otan. Quem levanta essa questão é o historiador e diplomata Rubens Ricupero, em entrevista à Renata Lo Prete.

“Quando desfecharam o ataque, a razão oficial que [os russos] encontraram era que a operação se tronava necessária para conter o genocídio contra a população de língua russa no leste da Ucrânia. Uma razão que não tem nenhuma base na realidade”, relembra o historiador.

“Muitas vezes, naquelas declarações, ele [Putin] foi muito mais longe e declarou que a Ucrânia não tinha razão de existir. A consequência lógica dessas declarações é que ele desejaria anexar a Ucrânia. Portanto, não se sabe exatamente que tipo de objetivo os russos têm […] Putin jamais deu sinal de que está disposto a uma conciliação.”

Para Ricupero, há sinais de que os russos pretendem conservar o território que já ocuparam até aqui, o que explicaria o interesse em Mariupol, a cidade mais bombardeada até o momento: “Isso inclui as duas províncias no leste, e incluiria um corredor por via terrestre que estabelecesse um vínculo entre a Crimeia e a Rússia. É por isso que estão destruindo pedra por pedra a cidade de Maiupol: a cidade tem a infelicidade de ficar no meio desse corredor.”

1 de 1 PutinFoto: Sputnik/Alexey Nikolsky/Kremlin via REUTERS PutinFoto: Sputnik/Alexey Nikolsky/Kremlin via REUTERS

Mariupol é uma das regiões de maior interesse estratégico para a Rússia

Embora os sinais de Putin sejam deliberadamente contraditórios, o historiador diz que há esperança na medida em que a Rússia não alcança seus objetivos depois de quatro semanas de invasão. Não descarta, porém, que a Rússia aceite um acordo apenas para ganhar tempo e mobilizar mais tropas.

“Em geral, a negociação só ocorre seriamente quando os dois lados têm mais a perder do que a ganhar continuando o conflito”, diz.

Ouça a entrevista completa no episódio #667 de O Assunto .